
Agora é hora de começar a falar do modelo financeiro. Por mais que escutemos com tanta frequência a pergunta “crédito ou débito?”, vocês perceberão que em m-payments estes produtos estão literalmente mundos à parte. Uma dúvida: porque será que os lojistas sempre falam crédito primeiro, mesmo sendo este o produto de maior custo para eles? De qualquer forma, vou romper com a tradição e falar de débito primeiro. O crédito vai ter esperar o post seguinte.
O produto débito é sem dúvida nenhuma o grande sucesso do mundo de m-payments. Não tão notada como a com o Cristo Redentor decolando, a capa da revista inglesa The Economist de dois meses atrás tinha uma mulher africana com um celular e o título: “The Power of mobile Money”. Numa longa reportagem, a revista enaltece os méritos de usar o celular para oferecer serviços financeiros à população que não possui conta em bancos. Num outro post, falarei da matéria em detalhe, mas as principais vantagens apontadas pela revista é o fato de o celular já estar na mão de todo mundo e de poder oferecer um serviço prático e seguro a baixo custo.
Como funciona este modelo no mundo? O cliente deposita dinheiro em uma conta que pode ser usada para compras, transferências e, em muitos casos, saque. Tanto o depósito como o saque são na maioria das vezes feitos nos pontos de venda de recarga para telefonia móvel. Além de usar a rede de revendas de telecom, as transações de compras, transferências e até saques usam uma tecnologia SMS parecida com a da Oi Paggo.
Se você pensar, este produto oferece quase todos os serviços financeiros que um indivíduo precisa e permite guardar dinheiro de maneira segura. Possibilita comprar em lojistas de vários segmentos e fazer transferências para outros clientes do serviço. Como era de se esperar, estes serviços prosperam em áreas em que a infra-estrutura bancária é pior que a de telecomunicações. Apesar de haver vários exemplos espalhados pela África e a Ásia, o Quênia e as Filipinas são os maiores casos de sucesso deste modelo.
Ah, eu estava quase esquecendo de falar do grande desafio do modelo débito: convencer usuários a pegar dinheiro vivo, que é amplamente aceito e muito prático, e depositar o mesmo numa plataforma de pagamentos fechada. No caso do Quênia e das Filipinas, o principal fator para superar esta barreira foi o estrondoso sucesso da transferência entre usuários. Esta facilidade, muitas vezes chamada de peer-to-peer ou P2P, permitiu que a população desses países fizesse em poucos segundos transferências de dinheiro para familiares ou amigos distantes (muitas vezes em outros países) a uma fração dos preços dos serviços alternativos .
Resumindo, no mundo m-payments no modelo débito tem sido utilizado para oferecer serviços financeiros básico para indivíduos não que não possuem contas em banco em economias emergentes, com destaque para Ásia e África.
Boa compras!
Abs,
Imagem: twoeyes